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Importante dica aos corredores

agosto 12th, 2010

IMPORTANTE DICA AOS CORREDORES

Publicado em sex, 06/08/2010 – 17:12

Corbis ImagensO sódio é um nutriente essencial ao bom funcionamento do nosso organismo. Este mineral auxilia na manutenção de nossa pressão arterial e é também imprescindível à função normal de nossos músculos e nervos. A necessidade para adultos sedentários ou que praticam atividade física leve é de 2000 mg por dia, porém indivíduos ativos, principalmente aqueles que praticam atividades com duração superior a uma hora devem consumir maiores quantidades de sódio para evitar a hiponatremia (queda da quantidade de sódio no sangue).

Em maratonistas, a hiponatremia é geralmente dilucional, ou seja, causada pelo excesso de água no sangue. Isto ocorre já que corredores de longa distância possuem mais tempo e mais oportunidades para ingerir líquidos em quantidades excessivas. Os sintomas da hiponatremia às vezes são imperceptíveis, porém o comum é que evoluam causando distensão abdominal, náusea, fadiga, vômitos, dores de cabeça, desorientação, e até complicações mais graves como a parada respiratória, coma, danos cerebrais e morte.

Como prevenir a hiponatremia?

Treinando. Atletas bem treinados apresentam um menor risco para a hiponatremia, já que, além de conhecerem melhor seus corpos e seus limites, costumam correr mais rápido, ingerindo menos líquidos do que os corredores mais lentos. Além disso, quanto mais treinado o atleta, melhor é sua adaptação ao calor, ao estresse e menor é sua perda de sódio no suor.

Hidratando-se adequadamente. Evite ingerir apenas água em provas longas. O ideal é consumir bebidas isotônicas, que contenham pelo menos 0,5 a 0,7 g de sódio por litro de solução. Em provas longas é importante ingerir também alguma fonte de carboidrato para manter a concentração de glicose sanguínea em níveis ótimos. Busque soluções que contenham também sódio. A maioria dos géis de carboidratos contém cerca de 55 mg de sódio a cada 40 g

Ajustando. Como cada pessoa perde uma quantidade diferente de água e sais minerais, já que esta perda varia de acordo com o treino, o peso, o sexo, a temperatura e a umidade do ambiente, o ideal é descobrir qual é a quantidade de água geralmente perdida durante os treinos. Para isso deve-se pesar antes e depois da corrida. Além disso, como a quantidade de sódio perdida no suor não é igual de indivíduo para indivíduo, estes ajustes devem ser feitos preferencialmente nos dias dos treinos. Se achar complicado peça ajuda a um treinador, médico ou nutricionista. A não reposição de líquidos costuma ser menos grave do que a não reposição de sódio.

O que tomar então?

Banco de Imagens Proximus

As bebidas isotônicas nem sempre repõem todo o sódio perdido. Se você transpira muito ou se o seu suor é muito salgado, seja mais cauteloso. As principais marcas disponíveis no mercado fornecem cerca de 440 mg de sódio por litro. Como a cada quilo de peso perdido você precisa repor entre 700 e 1000 mg de sódio e mais o equivalente em líquido, o isotônico precisará ser complementado com outras fontes de sódio, ou seja, para um quilograma perdido, você deverá ingerir 1 litro do isotônico, que fornece 440 mg de sódio. Se você tiver ingerido um sachê de 40g de maltodextrina, terá consumido também mais 55 mg de sódio. Portanto, 440 + 55 = 495 mg.

Para atingir pelo menos os 700 mg mínimos que deveriam ser repostos ainda faltam 205 mg de sódio. Veja abaixo, algumas opções para essa complementação.

Opções de sal extra
3 biscoitos salgados
0,5 g de sal (1/2 sachê)
35 g de pão francês
1,5 fatia de pão de forma
50 g de queijo muzzarela
65 g barra energética (varia de acordo com a marca)
1 unidade dos suplementos Thermolabs, Saltstick,
Lavasalts ou Endurolytes

Escrito por: Andreia Torres

Fonte: http://www.proximus.com.br/news/?q=node/209



Você sabe o que é Metabolômica?

agosto 12th, 2010

VOCÊ SABE O QUE É METABOLÔMICA?

Publicado em sex, 06/08/2010 – 17:06

A descoberta de novos talentos esportivos, a formação de atletas e o melhoramento dos atletas profissionais vêm ganhando entusiasmo e se disseminando por toda a parte. O Brasil está passando por grandes transformações no esporte profissional. Essas transformações emanam dos meios políticos, social, de comunicação e científico e foram determinadas pelo resultado de diversos eventos esportivos, culminando com as eleições do Rio de Janeiro para sediar os Jogos Olímpicos de 2016.

Cientificamente, permanecemos com a necessidade de uma investigação detalhada e mais eficiente do metabolismo dos atletas com a finalidade de compreender o funcionamento do mesmo em repouso, durante o treinamento físico, a prova, recuperação e descanso. Esta compreensão nos permitirá possibilidades de intervenções nutricionais ou no treino visando o incremento da performance física. Parte desta análise pode ser feita a partir de estudos metabolômicos. A metabolômica associa técnicas de preparações de amostras a diferentes técnicas analíticas, como a espectrometria de massas e a bioinformática para mensuração e sistematização das informações detectadas do metabolismo.

A Metabolômica é uma área das Ciências “ômicas” que analisa o metaboloma (conjunto de todos os metabólitos que são produzidos ou modificados em um organismo) elucidando a função e o relacionamento entre os genes, os mecanismos de expressão destes genes, as proteínas expressas, sua regulação e o resultado metabólico deste sistema. Uma investigação completa do metaboloma é dificultada pela sua enorme complexidade e dinâmica.

A metabolômica aparece como proposta de resposta a alguns problemas biológicos, como por exemplo: 1) por que há alterações dos níveis dos ácidos ribonucléicos mensageiros (RNAm) que nem sempre resultam em modificação na expressão de proteínas? 2) por que alterações observadas no transcriptoma e no proteoma nem sempre correspondem a mudanças fenotípicas?(1, 2). A metabolômica permite, assim, a caracterização dos metabólitos bem como a compreensão destes com a informação correspondente(1)

Os estudos integrados ômicos podem ser utilizados para melhor compreender e descrever as respostas dos mecanismos bioquímicos e biológicos do metabolismo de um atleta(3). Assim buscamos um nexus entre  a Genômica, Transcriptômica, Proteômica e a Metabolômica, conforme representação na figura. 

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Esta figura mostra que a informação codificada no ácido desoxirribonucléico (DNA) é posteriormente transcrita em uma molécula de mRNA. Durante o processo de tradução esta molécula de mRNA pode ser traduzida em uma enzima, que catalisará uma ou mais reações dentro e fora da célula sendo responsável pela transformação de moléculas químicas, que são os metabólitos.

Entre outras inúmeras funções, os metabólitos regulam a atividade das proteínas, intervêm nos processos de transcrição e tradução e são o produto final do metabolismo celular. Além disso, representam a informação que integra a função celular em nível molecular, com as alterações sistêmicas. O metaboloma pode nos ajudar a compreender rapidamente as alterações ambientais ou causadas pelo exercício físico(3, 4).

A análise dos metabólitos envolve a determinação dos níveis dos analítos fora ou dentro das células, construindo-se o perfil metabólico do atleta. Esse perfil metabólico refere-se ao conjunto de todos os metabólitos ou produtos derivados dos mesmos e permite o estudo da alteração de uma via metabólica. Assim, compreender o comportamento das vias metabólicas durante as diferentes etapas do exercício nos permitem avaliar o atleta nutricionalmente (alimentação e suplementação) e em relação ao seu treinamento, prevenindo a síndrome de overtraining (excesso de carga), o subtreinamento e adequando o treinamento ao momento fisiológico vivido pelo atleta.

Esse artigo é introdutório, pois devido a importância do estudo da metabolômica em atletas, abordaremos o funcionamento da espectrometria de massas e como os resultados da investigação metabólica dos atletas são obtidos.


Escrito por Nathália Maria-Resende1,3 e L. C. Cameron1,2,4

1 – Laboratório de Bioquímica de Proteínas – Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro
2 – Instituto de Genética e Bioquímica – Universidade Federal de Uberlândia
3 – Faculdade de Educação Física – Universidade Federal do Mato Grosso
4 – Programa de Pós Graduação em Ciência da Motricidade Humana – Universidade Castelo Branco
 


Referências Bibliográficas:

1. Dettmer K, Aronov PA, Hammock BD. Mass spectrometry-based metabolomics. Mass Spectrom Rev. 2007 Jan-Feb;26(1):51-78.

2. Gehlenborg N, O’Donoghue SI, Baliga NS, Goesmann A, Hibbs MA, Kitano H, et al. Visualization of omics data for systems biology. Nat Methods. 2010 Mar;7(3 Suppl):S56-68.

3. Boccard J, Veuthey JL, Rudaz S. Knowledge discovery in metabolomics: an overview of MS data handling. J Sep Sci.  2010 Feb;33(3):290-304.

4. Baran R, Reindl W, Northen TR. Mass spectrometry based metabolomics and enzymatic assays for functional genomics. Curr Opin Microbiol. 2009 Oct;12(5):547-52.

Fonte: http://www.proximus.com.br/news/?q=node/211



O Tao do Tri

agosto 10th, 2010

Às vezes, gosto de pensar no triatlhon não como esporte, mas como arte marcial. Trata-se, afinal, de um combate constante com os próprios limites, e também contra adversários. De lutas interiores e batalhas exteriores. De lágrimas, suor e por vezes sangue. E de vida e morte, porque durante os treinos, nos matamos cada dia um pouquinho (literal e figurativamente), para depois de cada prova renascer, vitoriosos – ainda que seja por haver tentado.

Uma vez aceita essa proposição, o triatleta, enquanto praticante de arte marcial, passa a ser um guerreiro. Tem seu uniforme, que o torna parte de uma tribo, e lhe confere uma identidade perante o mundo ao seu redor; tem seu mestre, responsável por orientá-lo no caminho da natação, ciclismo e corrida; tem suas práticas diárias, que o tornam capaz de nadar, pedalar e correr mais rápido, ou mais longe, ou ainda, quando ele for um grande guerreiro, mas rápido E mais longe. Tem seus rituais, que lhe permitem ao longo do tempo nadar pedalar e correr como se nadarpedalarecorrer fosse uma coisa só. Por fim, tem suas Grandes Provas – que mesmo pequenas aos olhos dos outros, para ele serão sempre Grandes, porque envolvem superar a si e aos outros em três campos de batalha diferentes.

Assim era também com os Samurais do Japão feudal, que além de dominar a arte do manejo da espada e do arco e flecha, deviam ser proficientes no combate corpo a corpo. Eram de certa forma, triatletas sem saber. Só que além da prática diária nessas três modalidades, eles exercitavam com igual dedicação a Poesia, o Arranjo Floral e a Cerimônia do Chá. E é justamente nesse ponto que o Samurai-Triatleta de ontem e o Triatleta-Samurai de hoje começam a traçar caminhos divergentes. É nesse ponto que, no meu entender, temos a grande lição a aprender.

O Samurai, na prática das artes marciais, desenvolvia a técnica e o preparo físico que tornavam seu corpo apto à luta com o inimigo externo, assim como faz o Triatleta hoje em dia sem seus treinos. Já no exercício da Poesia, do Arranjo Floral e da Cerimônia do Chá, o guerreiro japonês buscava o equilíbrio e fortalecimento do seu espírito, que o permitia melhor enfrentar e vencer seus inimigos internos.  E porque ele sabia, como também nós sabemos, que o inimigo interno (materializado no Medo, na Insegurança, e na Arrogância, dentre outros) nos derrota antes, e com mais facilidade, que o inimigo externo, o Samurai confiava menos no poder da técnica e do preparo que na força da vontade e do espírito.

Nesse ponto, me parece que nós, Triatletas-guerreiros de hoje, temos um vazio a preencher. Algumas vezes, ganhamos (i.e. compramos) nossa faixa preta antes de aprender a lutar, e, pior, acreditamos que ela detém o segredo da vitória. Com isso, corremos o risco de virar guerreiros de desfile, preocupados em mostrar nosso equipamento, uniforme e porte físico, mas desprovidos de ética, coragem, e humildade. Corremos o risco de, na pressa de buscar a vitória, desprezar outras faces da luta – como a técnica, o tempo de aprendizado e as derrotas – que são pré-requisitos da vitória sadia. E, levados pela crença cega e dependência exagerada nos equipamentos e na tecnologia, podemos até vencer os outros, mas continuaremos sempre perdendo para nós mesmos.

Talvez a nossa chance de resgatar em nós a essência do esporte esteja em voltar um pouco às origens, e nadar bastante em águas abertas (somente de sunga) pedalar muito na estrada (com um “caroção” de ferro), e correr sob sol, vento ou chuva (de calção e camisa de algodão, e um tênis qualquer).  Deixar de lado, ainda que em alguns treinos somente, a crença nas promessas da alta tecnologia, e recuperar a confiança no que somos capazes de produzir sem carbono, sem vitaminas, sem hormônios, sem GPS e sem EPO. Esgotar as nossas possibilidades de melhorar sem recursos externos. E, porque não, trocar algumas horas de musculação por alguma atividade que acalme e fortaleça o espírito.

Como conseqüência, imagino que voltaríamos a nos aproximar daquele caminho trilhado pelo Samurai – o caminho que leva o Guerreiro, na busca da perfeição em sua arte, a tornar-se um indivíduo melhor. E quem sabe, como efeito colateral, chegaríamos (guardadas sempre as devidas proporções) mais próximos daquele que deve ser o resultado mais fantástico da história do Triatlhon até hoje: Mark Allen, 1980 – natação 50 min, ciclismo 5hs03min, corrida 3hs30min. Total 9hs 24min. De sunga, caroção e roupa de algodão.



Linhaça marrom e linhaça dourada: entenda a diferença entre elas

agosto 6th, 2010

Fique ligado – Jornal interno da VW (Anchieta)
Edição 597 | Ano 3 | 29 de julho de 2010

* Artigo Sugerido pelo aluno Fábio Lima



A Preguiça Humana

agosto 5th, 2010

Mal desembarquei no aeroporto Santos Dumont, dei de cara com uma jibóia contorcida que avançava em passo de procissão. Era uma fila longa e grossa constituída por mulheres com trajes formais e homens de terno escuro, ejetados pelos aviões que aterrissavam no primeiro horário da manhã.

Usuário contumaz da ponte aérea que liga São Paulo ao Rio, jamais havia me deparado com aquela aglomeração ordeira. Assim que a jibóia fez a curva, saí de lado para enxergar a origem do congestionamento. Não pude acreditar: a fila desembocava na boca da escada rolante; ao lado dela, a escada comum, deserta como o Saara.

Imaginei que houvesse alguma razão para tanta espera, quem sabe a escada mecânica estivesse obstruída; mas como não percebi qualquer obstáculo, caminhei na direção dela. Não fosse a companhia de um rapaz de mochila nas costas, dois degraus à minha frente, eu teria descido no desamparo.

Se ainda fosse para subir pela escada rolante, o esforço maior e a transpiração àquela hora da manhã talvez justificassem a falta de iniciativa. Os enfileirados, no entanto, berrando nos celulares, em pleno vigor da atividade profissional, recusavam-se a movimentar as pernas mesmo para descer.

Caso perguntássemos para aquele povo se a vida sedentária faz bem à saúde, todos responderiam que não. Pessoas instruídas estão cansadas de ler a respeito dos benefícios que a atividade física traz para o corpo humano: melhora as condições cardiorrespiratórias, reduz o risco de doenças cardiovasculares, reumatismo, diabetes, hipertensão arterial, câncer, degenerações neurológicas, etc.

Por que, então, preferem aguardar pacientemente, a descer um lance de degraus às custas das próprias pernas? Por uma razão simples: o exercício físico vai contra a natureza humana. Que outra explicação existiria para o fato de o sedentarismo ser praticamente universal entre os que conseguem ganhar a vida no conforto das cadeiras?

A preguiça para movimentar o esqueleto não é privilégio de nossa espécie: nenhum animal adulto gasta energia à toa. No zoológico, você jamais encontrará uma onça dando um pique aeróbico, um gorila levantando peso, uma girafa galopando para melhorar a forma física. A escassez milenar de alimentos na natureza fez com que os animais adotassem a estratégia de reduzir o desperdício energético ao mínimo.

A necessidade de poupar energia moldou o metabolismo de nossa espécie de maneira tal, que toda a caloria ingerida em excesso será armazenada sob a forma de gordura, defesa do organismo para enfrentar as agruras dos dias de jejuns prolongados, que porventura possam ocorrer.

Por causa dessas limitações biológicas, se você é daquelas pessoas que espera a visita da disposição física para começar a fazer exercícios com regularidade, desista. Ela jamais virá.

Disposição para sair da cama todos os dias, calçar o tênis e andar até o suor escorrer pelo rosto, nenhum mortal tem. Ou você encara a atividade física com disciplina militar, ou esqueça dela. Na base do quando der eu faço, nunca dará. Falo por experiência própria. Sou corredor de distâncias longas há muitos anos. Às seis da manhã, chego no parque, abro a porta do carro e saio correndo. Não faço alongamento antes, como deveria, porque se ficar parado, esticando os músculos, volto para a cama.

Durante todo o percurso do primeiro quilômetro, meu cérebro é refém de um pensamento recorrente: não há o que justifique um homem passar por esse suplício. Daí em diante, as endorfinas liberadas na corrente sangüínea tornam o sofrimento mais suportável. Mas, o exercício só fica bom, de fato, quando termina.

Que sensação de paz e tranqüilidade! Que prazer traz a certeza de que posso passar o resto do dia sentado, sem o menor sentimento de culpa.

Se perguntasse às pessoas daquela fila, por que razão levam vidas sedentárias, todas apresentariam justificativas convincentes: excesso de trabalho, filhos que precisam ir para a escola, obrigações familiares, trânsito, falta de dinheiro, violência urbana.

No passado, diante desses argumentos, eu ficava condoído e me calava. Os anos de profissão mudaram minha atitude, entretanto: escuto as explicações em silêncio, mas não me comovo com elas. O coração vira uma pedra de gelo. No final, quando meu interlocutor pergunta como poderia encontrar tempo para a atividade física regular, respondo:

– Isso é problema seu.

Relato do Dr. Drauzio Varella
* Artigo Sugerido pelo aluno Bruno Andraus