Começando pelo telhado

Por Beto Cianfarani

Vários produtos que desejamos alcançar, existem processos coerentes a percorrer, etapas a serem cumpridas. Um grande exemplo e ditado popular é que “não se constrói uma casa começando pelo telhado”. Se não for estabelecido um alicerce sólido e bem feito, com certeza tal casa encontrará sua ruína precocemente, se ao menos chegar a ser edificada.

No mundo esportivo não é diferente, onde normalmente para se chegar num alvo, principalmente se for um grande alvo, muitas pequenas pedras deverão ser colocadas pelo caminho, para dar sustentação. Como alguém que começa a praticar boxe pode almejar ser campeão mundial logo em sua segunda luta? Uma longa trajetória, provavelmente, será percorrida fornecendo estrutura e experiência o suficiente para o praticante perseguir seu sonho. Isso acontece, de certa forma, também na corrida de rua, no qual pessoas acabam de ingressar no mundo das corridas, sem nenhuma aptidão e preparo e já planejam a curto prazo percorrer uma maratona, sem passar por etapas preparatórias. Existem pessoas com uma genética favorável para atividades de endurance, que certamente, com estímulos adequados, proporcionam uma rápida evolução levando o praticante a boas condições para enfrentar os 42 km. Mas também existem outras pessoas que possuem um histórico em outros esportes que exigem de forma extrema a capacidade cárdio respiratória, como ciclistas e nadadores, obtendo fatores que podem ser aproveitados, para construir uma periodização efetiva para a maratona.

A determinação e a consciência do preço que será pago na preparação para a prova, com treinos intensos, desgastantes, que certamente vai mexer com a rotina de um atleta amador, sendo este um fator determinante no êxito ou não do indivíduo a concluir os 42 km, nos quais muitos querem sentir o prazer de concluir a tão temida maratona, mas poucos querem se preparar de forma coerente para o desafio. Tudo já citado é apenas o básico para iniciar a discussão desse assunto, mas o mais sério é quando um indivíduo, parcialmente sedentário, que nunca praticou atividades físicas, que não tem a menor condição atual de executar tal feito, resolve embarcar nesse propósito, sem imaginar que está pulando muitas etapas, alem de correr o risco de comprometer sua integridade física. Cada um tem seus sonhos e objetivos, metas e desafios, mas é tarefa do profissional que cuida desse segmento, nesse caso o educador físico, orientar seu aluno, a melhor e mais indicada distância, preservá-lo e prepará-lo de forma consciente, para que no momento certo, com a condição necessária, ele possa ingressar nesse desafio, estruturado, apto para esse teste de resistência.

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